Sindicato dos Delegados de Polícia Federal do Estado de São Paulo

 

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A BATALHA DO CONTESTADO ENTRE MINAS GERAIS E ESPIRITO SANTO
-
Aparecido Lopes Feltrim
Delegado de Polícia Federal Aposentado

A BATALHA DO CONTESTADO ENTRE MINAS GERAIS E ESPIRITO SANTO

Não resta qualquer sombra de dúvidas que a história de nossa pátria perambula constantemente pela minha memória. Enfim, a história em geral!
Portanto, tive oportunidade e espaço em sites e revistas de nossa classe, para escrever temas diversos, inobstante minha mente de sessenta e cinco primaveras, às vezes não colaborar...
É lastimável que boa parte de nossa juventude desconheça o tema ora abordado, por absoluta inércia do nosso sistema educacional e porque não dizer omissão. Da mesma forma, literatura a respeito inexiste nas melhores livrarias paulistas.
Primeiro, faz-se necessário narrar que o título “Contestado” não reproduz tão somente a batalha entre os estados acima citados, pois algumas de nossas importantes enciclopédias menciona tal título como uma batalha armada no sul do país, por limites de terras entre Santa Catarina e Paraná (1912/15), com litígio entre fanáticos e tropas do Exército
A batalha do Contestado entre Minas Gerais e Espírito Santo ocorreu há apenas cinco décadas atrás, entre os anos de 1950 e 1960.
É cediço que um dos nomes oficiais da referida refrega foi chamada de “Questão Lindeira”, em razão da questão fraticida de limites entre os dois estados, cujo centro do embate foi entre os municípios de Barra de São Francisco, Mantena e Mantenópolis.
Em 1948, houve a primeira notícia de que tropas mineiras estavam invadindo aquela região rica em café e madeira. Em resumo, Minas Gerais sob o governo de Bias Fortes, com quatro mil soldados, bem equipados e armados, que ocuparam a região de Mantena, enquanto o Espírito Santo, com apenas um Batalhão, enfrentou-os com quatrocentos homens, comandados pelo Coronel PM Pedro Maia, entrincheirando-se na região montanhosa de Barra de São Francisco, por 34 dias.
Registre-se que não houve derramamento de sangue por interferência do governo federal, culminando com o acordo firmado pelos governadores de então, do Espírito Santo, Francisco Lacerda de Aguiar e de Minas, Magalhães Pinto, em 15 de setembro de 1963.
Alguns historiadores indicam 59 baixas, sem incluir os feridos de paus e espingardas.
A batalha teve como propósito a divisa entre os dois estados, na Serra dos Aimorés, exatamente na fronteira, com policiamento dos dois estados, segundo escreve Altino Silveira Silva e Maria Célia Barros da Silveira.
O ex-prefeito de Mantena, Adrião Baía, relatava que em razão da insegurança, medo e ameaça, “toda localidade tinha dupla jurisdição, convivendo uma autoridade do Espírito Santo e outra de Minas Gerais. Quem torcia por Minas, registrava seu filho em cartório mineiro, quem era a favor do Espírito Santo fazia o contrário”.
Ao leitor que procura mais conhecimento acerca de tal evento histórico, sua memória está preservada no Museu do Contestado, no Balneário de Mucurici.
Assaz interessante registrar que temos entre nós, Delegados de Polícia Federal Aposentados, um capixaba correto e honrado. Um valoroso combatente daquela histórica batalha, que permaneceu em Barra de São Francisco, exatamente nos meses de junho/julho de 1956.
Seu ingresso na Polícia Militar do Estado do Espírito Santo se deu em 19/03/1955, permanecendo até 20/11/1964, portanto, 9 anos e 8 meses.
Na ocasião, seu Batalhão deslocou de Vitória/ES em caminhões de carga, com destino a Barra de São Francisco, onde permaneceu entrincheirado no mato, ( foto)nas periferias da cidade, sem banho, alimentado-se precariamente numa cozinha improvisada pelos policiais militares. Utilizavam carabinas, fuzil modelo 1908, metralhadoras INA e apenas uma única metralhadora anti-aérea.Tempos após, em novembro de 1969, ingressou na Polícia Federal, já no Distrito Federal, como motorista, onde permaneceu na antiga DSG, até ser aprovado no concurso para Agente de Polícia Federal.
Em suas folgas e dificuldades, graduou-se em Direito pelo Centro de Ensino Unificado de Brasília, turma de 1979 e, com êxito foi aprovado no Curso de Formação de Delegado de Polícia Federal.
Trata-se de NELSON GOMES, dileto amigo de longa data, que no alto de seus oitenta e dois anos de idade, reside no Guará/DF, com sua esposa Creusa, filhos, netos e bisnetos. Sua residência sempre está de portas abertas aos verdadeiros amigos.
CONCLUSÃO: Não por acaso foi incluído no presente artigo a trajetória do Delegado de Polícia Federal Aposentado NELSON GOMES. É óbvio que o simbolismo tem endereço certo, notadamente para relembrar aqueles que ignoram os aposentados; votaram favorável ao abono salarial, em outubro do ano passado para os ATIVOS, em detrimento dos inativos e sobretudo o descaso prejudicial aos policiais que construíram uma polícia federal, hoje, forte, aplaudida e respeitada por toda sociedade, mas, que, em passado não muito distante sequer tinha verba para pagar aluguéis, gasolina, oficinas, etc. Retrocedendo um pouco mais no tempo, não dispunha de ar condicionado, computadores, máquinas elétricas, modernas viaturas, armamento adequado, “guardião” e que tais; equipamentos de alta resolução empregados nas investigações e tão pouco convênios com países considerados paraísos fiscais. Não descreio, em contrapartida, que temos jovens delegados – hoje excelências (tratamento protocolar em suas ações investigativas), extremamente capacitados, com mestrados, doutorados, verdadeiros profissionais de polícia judiciária, a quem, nós, os “antigões, entregamos o Departamento de Polícia Federal. Sim! São jovens importantes, mas não esqueçam que polícia de uma forma geral é uma família. A nossa, é a família policial federal, composta de velhos e novos – representados pelos avós, pais, mães e filhos -, estes são a garantia da continuidade, da permanência e unidade familiar, são a força e a prosperidade.
Por derradeiro, amanhã também vestirão o pijama e terão orgulho do que edificaram.
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4/7/2016

 

 

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